2020

CLAUDIA ALQUEZAR FACCA

Orientador (a): Ana Mae Tavares Bastos Barbosa

A contribuição do pensamento do design na formação do engenheiro: O espaço do Fab Lab como experiência transversal

Resumo:
Esta tese investiga as relações entre duas importantes áreas do conhecimento – o Design e a Engenharia – que, não se limitando a si mesmas, pelo contrário, extrapolam seus limites, se misturam e se confundem, interagem com outras áreas, em busca de respostas e soluções para o mundo atual, num contexto que muda a cada dia. O objeto desta pesquisa é o estudo referente a inserção do ensino de Design nos cursos de Engenharia, utilizando a metodologia do Design Thinking como ferramenta técnica e o Fab Lab (ou laboratório de fabricação) como espaço de compartilhamento, criação e inovação. O Design é abordado como um elemento multi, inter e (talvez) transdisciplinar de conteúdo, que pode ajudar a integrar e ultrapassar as disciplinas envolvidas, especificamente quando aplicado na prática projetual, podendo contribuir para o desenvolvimento de produtos e serviços inovadores, enriquecer a formação do engenheiro e ser um agente relevante na inovação da educação superior. Por meio de uma pesquisa exploratória (bibliográfica e documental) foi possível criar um referencial teórico e montar um cenário contextual da educação superior atual, principalmente conectando as ideias de grandes educadores do passado e do presente – como Dewey, Montessori, Piaget, Papert e Perrenoud – às tendências educacionais atuais, relacionadas por exemplo ao ensino de STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics) e STEAM (+ Arts), às estratégias ativas de aprendizagem baseadas em projetos e à educação maker. A pesquisa sobre o panorama do Design nos cursos de Engenharia no Brasil e no mundo teve uma função importante para a visualização da situação atual da educação em Engenharia. Comparar os dois cenários, nacional e internacional, foi fundamental para se perceber a lacuna existente e quantas oportunidades e espaços ainda existem para serem explorados. Com o propósito de investigar e analisar situações reais, foram realizados dois estudos de casos. O primeiro foi realizado com o objetivo de analisar e comparar a aplicação da metodologia do Design Thinking no desenvolvimento de projetos nas disciplinas de Introdução à Engenharia e Fundamentos da Engenharia, na 1ª série dos cursos de Engenharia no Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia (CEUN-IMT), em São Caetano do Sul/SP, no Brasil. O segundo foi realizado durante o período do Doutorado “Sanduíche”, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), em Portugal, com o objetivo de analisar o resultado de uma experiência de aproximação entre duas turmas de mestrado integrado, uma de Engenharia Ambiental e outra de Design de Produto e Industrial. Nos dois casos, em que a integração entre o Design e a Engenharia ainda não acontecia efetivamente, foi possível perceber como foi a receptividade aos exercícios, como os resultados provenientes dos projetos evoluíram e o potencial que está embarcado nesse contexto.

Arquivo PDF


MARIA CRISTINA ELIAS MENEGHETTI

Orientador (a): Priscila Almeida Cunha Arantes

O corpo e os seus (meus) vestígios: traçando um design em processo segundo o universo de ma

Resumo:
Ma significa vazio, espaço, tempo ou pausa, e sua origem está correlacionada às ideias de transitoriedade e incompletude características da estética zen-budista. Mais do que um conceito, ma é um modus operandi na vida cotidiana japonesa, que ilustra um intervalo de
espaço-tempo disponível para a materialização de eventos em potencial, e em que infinitas combinações sígnicas podem acontecer. Trata-se de um corte, uma delimitação, um fragmento do infinito que é, ao mesmo tempo, vazio e cheio de potência. Neste estudo, tendo o corpo e o
movimento como tônicas da criação, penso o meu processo criativo nas artes visuais a partir do universo não-dualista e em constante transformação de ma. O design é associado a um caminho aberto, que aponta uma direção mas que comporta espaços vazios para o acaso e o
momento presente agirem; um caminho que prioriza a prática, o processo, em detrimento do resultado final, e que assume o risco de se deixar transformar pelo imprevisível. O projeto é colocado como um mapa mínimo que reserva vazios, intervalos disponíveis para o fenômeno,
o acontecimento, comportando aquilo que não se pode planejar de forma exata. O objeto de arte, neste contexto de transitoriedade, recria-se repetidamente, num constante tornar-se vestígio de si mesmo e, consequentemente, outro.

Arquivo PDF

Comments are closed.